Autismo... 

Tem tratamento!!!

Quanto antes iniciado o tratamento, melhores os resultados!!!

EXAME CLÍNICO

Dr. Gustavo Teixeira

Dr. Gustavo explica que ainda não há marcadores biológicos para o Autismo e que exames genéticos são o futuro, mas ainda são falhos, pois há mais de 200 genes. Enfim, para realização do diagnóstico, é necessária a avaliação clínica de um profissional especializado em Autismo e atualizado. 

PEDIATRAS - 18 e 24 MESES

Dr. Carlos Gadia

Dr. Gadia explica que essa escala é utilizada por todos os pediatras nos Estados Unidos aos 18 e 24 meses para avaliar o risco para Autismo. 

Segue a versão dessa escala em Português logo abaixo.

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Escalas de Avaliação

Portanto, o exame para o diagnóstico do autismo é comportamental, ou seja, depende da avaliação subjetiva de um especialista.

 

Há no entanto, as Escalas de Avaliação que podem auxiliar no pré-diagnóstico, fazendo uma triagem dos casos, para então o "veredicto final" do especialista. 

Aliás, afim de realizar o diagnóstico precoce, de acordo com a Lei 13.438, é obrigatória a aplicação pelo SUS a todas as crianças, nos seus primeiros dezoito meses de vida, de protocolo ou outro instrumento com a finalidade de facilitar a detecção, em consulta pediátrica de acompanhamento da criança, de risco para seu desenvolvimento psíquico. Trata-se de um questionário simples, que analisa o comportamento da criança, com algumas perguntas como: 

* O seu filho olha para você nos olhos por mais de 1 segundo ou 2?

* O seu filho sorri em resposta ao seu rosto ou ao seu sorriso?

* O seu filho imita você?

No entanto, na prática, este protocolo não é utilizado nem na rede pública, nem na rede particular! O ideal seria que pediatras, professores, enfim, todos os profissionais que lidassem com crianças de até 18 meses, aplicassem estes questionários denominados ESCALAS DE AVALIAÇÃO, o que permitiria uma triagem e possibilitaria o diagnóstico precoce a tantas crianças, o que certamente resultaria em melhores resultados no tratamento!

Seguem abaixo alguns exemplos de Escalas de Avaliação, com os devidos links dos questionários:

M-CHAT-R

É a escala utilizada por todos os pediatras nos USA, aos 18 e 24 meses, para avaliar se há risco para Autismo. 

CHECKLIST MODELO DENVER

O checklist do Modelo Denver é a escala utilizada por Mayra Gaiato e a recomendada para análise também dos objetivos e metas a serem alcançadas com o tratamento.

Pode ser adquirido em lojas de vendas online como amazon, americanas, submarino e outras. 

PREAUT (Risco em Bebês)

Para risco em bebês, esse questionário deve ser realizado por especialistas.

ATEC

Autism Treatment Eavluation Checklist 

VB-MAPP

A sigla significa Avaliação de Marcos do Comportamento Verbal e Programa de Nivelamento, utilizado para avaliação do repertório inicial em intervenções com ABA. Esse instrumento compreende 170 marcos de desenvolvimento subdivididos em três níveis, que vão de zero a 48 meses de idade. Dentro de cada divisão, existem diferentes habilidades, tais quais Mando, Tato, imitação motora, habilidades de grupo e pré-acadêmicas. Além disso, são avaliadas 24 possíveis barreiras para o aprendizado, como comportamento hiperativo e baixo contato visual, por exemplo. O VB-MAPP disponibiliza uma avaliação de transição, na qual a junção de habilidades e barreiras ajuda a identificar os fatores determinantes para as dificuldades de aprendizado daquela criança. Ainda há uma ferramenta chamada “análise de tarefas e rastreamento de habilidades”, com a qual é possível maior detalhamento das habilidades esperadas, chegando a cerca de 900. Por fim, tem-se acesso a um plano de ensino individualizado que propiciará o nivelamento.

 

Para acessar a versão em português, clique abaixo:

ASQ

A sigla significa Autism Screening Questionnaire (em português: questionário de triagem para autismo). Escala para avaliar crianças com suspeita de autismo por volta dos 4 ou 5 anos de idade.

ADOS-2

A Escala de Observação para o Diagnóstico de Autismo 2 (ADOS-2) é uma avaliação padronizada e semiestruturada da comunicação, da interação social e jogo ou uso criativo de materiais para pessoas suspeitas de terem Perturbações do Espetro do Autismo. A escala está estruturada em cinco módulos (t, 1, 2, 3 e 4), cada um específico para determinada idade e nível de linguagem. ​É necessário ter experiência e ser capacitado para aplicar a escala. Importante também para avaliar a evolução do paciente. 

ADI-R

A ENTREVISTA DIAGNÓSTICA ADI-R (AUTISM DIAGNOSTIC INTERVIEW- REVISED) é uma entrevista semiestruturada que se realiza com a família ou cuidador/a de pacientes com TEA (Transtornos do Espectro Autista), e que complementa  a Administração do ADOS-2 (Autism Diagnostic Observational Schedule). ​É necessário ter experiência e ser capacitado para aplicar a escala. Importante também para avaliar a evolução do paciente. 


São mais de 100 itens em entrevista com pais.

CARS

Childhood Autism Rating Scale . São15 itens que distingue autismo de outros atrasos no desenvolvimento (para avaliador, pais ou educador).

M-CHAT

M-CHAT - Modified Checklist for Autism in Toddlers (pode ser utilizada em todas as crianças pelos pediatras e identifica traços de autismo precocemente). Indicado para crianças entre 12 e 24 meses.

CHAT

CHAT (Checklist for Autism in Toddlers)  Indicado para crianças entre 18 e 36 meses (Baron-Cohen e cols., 1992).

São 9 perguntas em questionário para mãe e 5 itens de observação pelo pediatra.

 

Focaliza categorias comunicativas (simbólicas).

PEP-R

Psychoeducational Profile Revised (para planejamento psico-educacional segundo Método TEACCH)

ABC

ABC - Autism Behavior Checklist (57 itens e que ajuda na identificação do autismo).

QA

Quoficiente do Espectro do Autismo, criado pelo psicólogo Simon Baron-Cohen e seus colegas da Universidade de Cambridge.

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Segue um trecho inicial do CARS, como exemplo:

ATA

 

Como divulgou o IG @entendendoautismo: 

A ATA é uma escala de avaliação que possui 23 itens e cada um deles tem alguns sub-itens numerados que ajudam a descrever de uma forma mais detalhada o comportamento daquele indivíduo, para que se possa compreendê-lo melhor dentro de cada item.

O seu ponto de corte é de 15, ou seja, passou de 15, é uma criança de alto risco para o Autismo.

Ocorre que, conforme publicou em seu IG Dra. Dra. Isabella Peixoto Barcelos, referente à publicação da Revista Pediatrics de Outubro de 2019 quanto à eficiência do M-CHAT:

 

"Artigo publicado hoje na renomada revista “Pediatrics”. O M-CHAT (instrumento padronizado mundialmente para rastreio de TEA) se mostrou menos eficiente do que previamente publicado para levantar a suspeita de autismo (sensibilidade inferior a 40%). Ainda pontuo que o MCHAT continua sendo indicado pela Academia Americana de Pediatria para rastreio de TEA entre 18-24 meses. Aproveito para reforçar a necessidade de formação e capacitação para conseguirmos identificar sinais precoces antes mesmo dessa idade e não ficarmos dependentes de instrumentos que podem não ser tão eficientes como pensávamos".

Segue matéria do site www.neurosaber.com.br sobre o tema:

 

5 passos para o Diagnóstico do Autismo

Uma das medidas mais importantes na condução e na observação de crianças é interpretar como vai seu desenvolvimento e seu comportamento. Detectar desde cedo problemas ou anormalidades pode ser decisivo para seu futuro, especialmente no que tange sua vida afetiva, social e escolar. No Autismo ou nos Transtornos do Espectro Autista esta lógica não é diferente. Infelizmente, o Autismo não tem “cara”, forma física, sinais na pele ou no rosto da criança e não aparece em exames de imagem ou de sangue… Esta condição só pode ser identificada por meio de observação do comportamento da criança e por informações coletadas por meio de relatos de seus cuidadores, até que se preencham os critérios necessários para se confirmá-lo ou descartá-lo.

Desta forma, é muito importante saber quais passos tomar para descobrir se uma criança tem Autismo ou não. Cinco passos são indicados como caminho e diretriz para se chegar ao diagnóstico adequado:

1) Entrevista detalhada com os pais/cuidadores

Colher informações sobre o comportamento social e como se comunica socialmente a criança, além de verificar se ela apresenta atitudes e intenções repetitivas e fora do contexto, é essencial! Nessa entrevista, é importante que quem a conduz conheça os sinais e sintomas de Autismo e seus aspectos clínicos mais sugestivos. Muitas vezes, os pais não sabem relatar direito ou não se lembram ou ainda querem verificar mais. Neste caso, acione os passos 2 e 3.

2) Reunir fotos e vídeos

Muitas vezes, na entrevista, as informações são frágeis e pouco definidas. Neste caso, pode-se investigar observando diretamente a criança por meio de vídeos e fotos em plena atividade compartilhada com os amiguinhos ou com a família; ou o profissional pode também visitar a escola para ver a criança diretamente em ambiente social e lúdico.

3) Depoimentos de profissionais e escolas

A visão e a análise de profissionais que lidam com crianças podem ser decisivos para um maior e mais amplo esclarecimento acerca de seu comportamento. Devido ao maior preparo profissional e por estarem isentos emocionalmente, tais relatos podem ser cruciais e definir com mais certeza a suspeita. Além disto, a comparação silenciosa e sistemática com outras crianças no ambiente em tempo real dá maior clareza ao se perceberem as diferenças entre a criança observada e as demais.

4) Uso de escalas de avaliação

O uso de escalas de avaliações confiáveis e desenvolvidas a partir de muitas pesquisas e sistematizações são úteis, pois dão maior objetividade à observação e nos faz lembrar do que deve ser perguntado e observado sem correr risco de esquecer detalhes ou se perder durante a entrevista. Além disso, ajudam a demarcar melhor os sintomas mais severos e que precisam de maior intervenção. Quem avalia ou trabalha com estas crianças, deve conhecer pelo menos as escalas de triagem, como o ATA (Escala de Traços Autísticos) ou o M-CHAT (Modified-Checklist Autism in Toddlers), ambas já traduzidas para nossa língua.

5) Dados de história familiar

Verificar se na família existem casos de Autismo ou de outros transtornos de desenvolvimento ou neuropsiquiátricos, pois está consolidada na literatura científica a evidência de que existem estreitas associações entre estas condições. As idades materna e paterna acima de 40 anos também se correlacionam com risco maior de ter filhos com TEA. Além disto, neste histórico, pode-se também averiguar suas condições de parto, peso ao nascer e se houveram problemas significativos naquele momento, como prematuridade e baixo peso.

PROMESSA DA CIÊNCIA - EXAME DE SANGUE

Recentes estudos apontam a eficácia do Diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo através de exame de sangue, com eficácia em 88% dos casos, conforme notícia do site Science Daily, cujo link segue abaixo (tradução Autistólogos): 

"Um ano depois de os pesquisadores publicarem seu trabalho em um teste fisiológico para o autismo, um estudo de acompanhamento confirma seu sucesso excepcional em avaliar se uma criança está no espectro do autismo.

Crédito: Rensselaer

 

Um ano depois de os pesquisadores publicarem seu trabalho em um teste fisiológico para o autismo, um estudo de acompanhamento confirma seu sucesso excepcional em avaliar se uma criança está no espectro do autismo. Um teste fisiológico que apoia o processo de diagnóstico de um médico tem o potencial de reduzir a idade em que as crianças são diagnosticadas, levando a um tratamento mais precoce. Os resultados do estudo, que usa um algoritmo para prever se uma criança tem transtorno do espectro do autismo (TEA) baseado em metabólitos em uma amostra de sangue, publicada on-line hoje, aparecem na edição de junho da Bioengineering & Translational Medicine.

 

"Nós olhamos para grupos de crianças com ASD independente do nosso estudo anterior e tivemos sucesso semelhante. Somos capazes de prever com 88 por cento de precisão se as crianças têm autismo", disse Juergen Hahn, autor principal, biólogo de sistemas, professor e chefe do Rensselaer. Departamento de Engenharia Biomédica do Instituto Politécnico e membro do Centro Rensselaer de Biotecnologia e Estudos Interdisciplinares (CBIS). "Isso é extremamente promissor”.

 

Estima-se que aproximadamente 1,7 por cento de todas as crianças são diagnosticadas com ASD, caracterizada como "uma deficiência de desenvolvimento causada por diferenças no cérebro", de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças. É geralmente reconhecido que o diagnóstico precoce leva a melhores resultados à medida que as crianças se envolvem em serviços de intervenção precoce, e um diagnóstico de TEA é possível aos 18-24 meses de idade. No entanto, como o diagnóstico depende apenas de observações clínicas, a maioria das crianças não é diagnosticada com TEA até os 4 anos de idade.

 

Em vez de procurar um único indicador de ASD, a abordagem desenvolvida por Hahn usa técnicas de big data para pesquisar padrões em metabólitos relevantes para duas vias celulares conectadas (uma série de interações entre moléculas que controlam a função celular) com suspeitas de ligação com o TEA.

 

"O trabalho de Juergen no desenvolvimento de um teste fisiológico para o autismo é um exemplo de como a interface interdisciplinar de engenharia da ciência da vida no Rensselaer traz novas perspectivas e soluções para melhorar a saúde humana", disse Deepak Vashishth, diretor do CBIS. "Este é um ótimo resultado da maior ênfase na doença de Alzheimer e doenças neurodegenerativas no CBIS, onde o nosso trabalho se une a múltiplas abordagens para desenvolver melhores ferramentas de diagnóstico e biomanufacture novas terapias".

 

O sucesso inicial em 2017 analisou dados de um grupo de 149 pessoas, das quais cerca de metade foram previamente diagnosticadas com TEA. Para cada membro do grupo, Hahn obteve dados de 24 metabólitos relacionados às duas vias celulares - o ciclo da metionina e a via de transulfuração. Ao omitir deliberadamente dados de um indivíduo no grupo, Hahn submeteu o conjunto de dados restante a técnicas avançadas de análise e usou os resultados para gerar um algoritmo preditivo. O algoritmo então fez uma previsão sobre os dados do indivíduo omitido. Hahn validou os resultados, trocando um indivíduo diferente do grupo e repetindo o processo para todos os 149 participantes. Seu método identificou corretamente 96,1% de todos os participantes em desenvolvimento típico e 97,6% da coorte de ASD.

 

Os resultados foram impressionantes e criaram, disse Hahn, um novo objetivo: "Podemos replicar isso?"

 

O novo estudo aplica a abordagem de Hahn a um conjunto de dados independente. Para evitar o longo processo de coleta de novos dados através de ensaios clínicos, Hahn e sua equipe pesquisaram os conjuntos de dados existentes que incluíam os metabólitos que ele havia analisado no estudo original. Os pesquisadores identificaram dados apropriados de três estudos diferentes que incluíram um total de 154 crianças com autismo conduzidas por pesquisadores do Arkansas Children's Research Institute. Os dados incluíram apenas 22 dos 24 metabólitos que ele usou para criar o algoritmo preditivo original, porém Hahn determinou que a informação disponível seria suficiente para o teste.

 

A equipe usou sua abordagem para recriar o algoritmo preditivo, desta vez usando dados dos 22 metabólitos do grupo original de 149 crianças. O algoritmo foi então aplicado ao novo grupo de 154 crianças para fins de teste. Quando o algoritmo preditivo foi aplicado a cada indivíduo, ele previu corretamente o autismo com 88% de precisão.

REVISTA CRESCER - PROMESSA DIAGÓSTICO ENCÉFALO EM BEBÊS

 

De acordo com a Revista Crescer:

"Autismo pode ser diagnosticado a partir dos 3 meses, segundo novo estudo.

Por meio da realização de um eletroencefalograma (EEG), os pesquisadores conseguiram definir quais bebês tinham uma inclinação ao espectro autista.

Um estudo publicado na Scientific Reports pode ter dado um importante passo em direção ao diagnóstico precoce do autismo. Por meio de um exame simples e conhecido do público em geral, o eletroencefalograma (EEG), os pesquisadores conseguiram definir já aos 3 meses de idade quais bebês tinham inclinação ao transtorno do espectro autista e até prever o grau de comprometimento. 

Realizado de forma colaborativa entre o Hospital Infantil de Boston, a Harvard Medical School e a Universidade de Boston, o estudo analisou 188 bebês, dos quais 99 tinham um irmão mais velho com autismo e 89 eram considerados de baixo risco. Eles foram acompanhados dos 3 aos 36 meses, quando geralmente é feito um diagnóstico assertivo. Dessa forma, os pesquisadores puderam conferir quais previsões feitas a partir do EEG estavam corretas. A taxa de precisão superou os 95% a partir dos 6 meses.

"Os resultados são impressionantes. A precisão do diagnóstico foi de quase 100% aos 9 meses de idade, inclusive, do grau dentro do espectro autista", ressalta William Bosl, um dos autores. Outra vantagem é que o EEG, exame que registra a atividade elétrica do cérebro por meio de eletrodos afixados nos couro cabeludo, tem baixo custo, não é nada invasivo e sequer exige que a cabeça do bebê seja raspada. 

Maria Carolina Serafim, psiquiatra infantil do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR), ressalta um crescimento no número de estudos com bebês nos últimos tempos. "Temos acompanhado muitos trabalhos de psicanalistas, psiquiatras e neurologistas com bebês. Há um investimento muito grande na observação de crianças de 3, 4 meses, quando já é possível identificar alguma dificuldade no desenvolvimento. Tem muita gente trabalhando com isso, mesmo sem a preocupação de evidências biológicas, diferentemente desse estudo com eletrodos", diz. 

A justificativa para esse interesse crescente no desenvolvimento desde os primeiros meses de vida é que o diagnóstico precoce pode ajudar a diminuir a angústia dos pais, que chegam a esperar anos por uma resposta, e preparar essa família quanto à melhor formar de amparar a criança. Estudos demonstram que a intervenção precoce pode ser definitiva para que algumas barreiras do desenvolvimento da criança autista - principalmente de comunicação e comportamental - sejam superadas". 

EYE TRACKING

Como explica o site www.superspectro.com.br:

 

"Uma promissora pesquisa científica que vem sendo desenvolvida nos Estados Unidos está chamando a atenção de especialistas em Transtorno do Espectro Autista de todo o mundo. Trata-se da tecnologia de “Eye Tracking”, uma espécie de mapeamento visual que, se comprovada sua eficácia, vai facilitar e antecipar o diagnóstico do TEA significativamente. 

À frente deste projeto está um brasileiro, o curitibano Dr. Ami Klin, psicólogo, doutor e pós-doutor que, ao longo de sua carreira nos últimos quase 30 anos, encabeça pesquisas científicas avançadas na área. 

Iniciado originalmente na Universidade de Yale, onde Dr. Klin era professor, o estudo é continuado agora no Marcus Autism Center, em Atlanta, em parceria com a Emory University, e os progressos são animadores.

Mas, afinal de contas, o que é o Eye Tracking e o que ele tem a ver com o autismo? Sabe-se que um dos principais indicadores do TEA é a dificuldade da criança em olhar nos olhos durante uma conversa, já que ela tende a focar muito mais em detalhes ou em objetos. Esta tecnologia é capaz de identificar tal dificuldade em crianças muito pequenas, a partir dos seis meses de idade ou até mesmo mais cedo.

Nas palavras do Dr. Ami Klin, trata-se de um “aparelho que possibilita o diagnóstico objetivo e quantitativo do autismo, assim como a medida do nível de desenvolvimento intelectual e de linguagem da criança. Esse procedimento leva 12 minutos e é efetuado por um técnico. Dessa maneira, isso pode ser feito através da medicina primária”. 

No teste, a criança é colocada em uma cadeira e exposta a imagens de uma tela. Essa tela exibe imagens em movimento e o sistema desenvolvido pelos médicos capta a direção do olhar da criança – se ela olha para as pessoas, para os objetos, se acompanha os movimentos, se olha nos olhos das pessoas que aparecem na imagem. 

Dr. Ami defende que mesmo uma criança com um ou dois meses de idade já pode começar a demonstrar alguma diferenciação na direção do olhar, caso seja uma criança do Espectro Autista. Um exame como este poderia antecipar significativamente o diagnóstico.

De acordo com artigo escrito por dr. Ami Klin, juntamente com Cheryl Klaiman e Warren Jones, e publicado na revista científica Neurologia, em 2015, na maioria dos casos os sintomas do TEA já estão presentes entre 18 e 24 meses de idade, mas apenas 8% dos clínicos gerais nos Estados Unidos realizam a triagem de rotina para autismo nas crianças desta faixa etária nos consultórios. No Brasil, esse dado ainda não é conhecido.

“Enquanto que a maioria dos estudos até agora focava-se no surgimento dos sintomas iniciais, vários estudos experimentais vêm se concentrando nas anomalias dos processos de socialização normativos. Por meio de pesquisas comportamentais, de rastreamento ocular (eye-tracking), eletrofisiológicas, ressonância magnética funcional e tensor de difusão, os pesquisadores vêm documentando o desvio dos processos fundamentais de interação social desde o primeiro ano de vida”. 

Segundo o especialista, as pesquisas em rastreamento ocular que estão em desenvolvimento são focadas nas anomalias do olhar – ou seja, em identificar se o bebê dá preferência ao olhar dos demais e se há intenção de comunicar.  

Em um estudo anterior, o grupo de pesquisa de Ami Klin apresentou a crianças de dois anos de idade vídeos onde uma atriz olhava diretamente para a câmera, atuando como cuidadora e interagindo com o espectador com jogos interativos tradicionais de bebês – como o famoso ‘escondeu-achou’, entre outros – enquanto os padrões de fixação do olhar das crianças eram mensurados por rastreamento ocular. “Havia três grupos: crianças na primeira infância com TEA, controles de desenvolvimento típico – DT (TD em inglês) e controles não-autistas mas com atraso no desenvolvimento – AD (DD em inglês). As crianças com TEA exibiram um grau de fixação de olhar muito menor do que os outros dois grupos: a fixação de olhar média foi de fato menos da metade da exibida pelas crianças com DT e AD”.

De acordo com ele, duas observações adicionais deste estudo foram extremamente válidas. “Primeiro, a fixação do olhar nas crianças com TEA tinha uma correlação significativa com seus níveis de incapacidade social (mensurada com instrumentos clínicos padronizados), conferindo desta forma validade clínica a este ensaio comportamental. Segundo, as crianças com TEA também exibiram fixação significativamente maior na boca do que os controles”, explica. 

Iniciado com crianças de um mês de idade, o estudo mostrou um declínio contínuo de fixação do olhar já a partir do segundo mês, “chegando a um grau próximo à metade dos controles do ponto final aos 24 meses. O declínio da fixação do olhar já se manifestava no primeiro semestre”, complementam os autores do artigo.

O principal objetivo destes estudos, segundo dr. Ami Klin, é desenvolver uma forma de triagem que aconteça, cada vez mais cedo e de maneira ampla, em todo e qualquer hospital ou consultório, muito antes da criança já apresentar os sintomas mais evidentes. 

Segundo ele, em zonas rurais e periferias, o TEA tem uma média de diagnóstico que vai além dos cinco anos e meio de via. Nesses casos, “ao invés de tratarmos o autismo, nós tratamos os resultados do autismo, que podem ser devastadores. Quanto mais tarde é o diagnóstico, maior a probabilidade de não conseguirmos otimizar os resultados eventuais de tratamento e intervenções. Mas a ideia é termos uma solução que seja acessível e viável para a comunidade em geral, e não somente para as pessoas com muito recurso”, completa.

Além disso, ele reforça também a importância de pensar para além do diagnóstico. “Mas é crítico que essa tecnologia – que se tiver sucesso pode revolucionar a identificação e diagnóstico precoces – seja adotada somente em lugares aonde se faça um esforço da mesma maneira para aumentar o acesso a serviços de intervenção precoce. Não seria ético diagnosticar crianças, se não temos nada a oferecer a essas famílias”.

Confira na íntegra a entrevista do psicólogo e pesquisador do Transtoro do Espectro Autista, concedida ao Super Spectro. 

Super Spectro: Há quanto tempo iniciou sua pesquisa e seu trabalho com o Transtorno do Espectro Autista?

Dr. Ami Klin: Meu trabalho clínico em autismo comecou durante o meu período de doutorado, no Medical Research Council e University of London [Conselho de Pesquisa em Medicina e Universidade de Londres], no ano 1985, mais ou menos. Eu trabalhei numa unidade residencial para adultos com autismo que haviam passado todas as suas vidas em hospitais; também trabalhei na primeira escola para crianças com autismo no mundo, também em Londres. E finalmente, trabalhei com a Associação de Pais de Crianças com autismo da Inglaterra, quando viajava a vários lugares para visitar crianças e famílias. Meu trabalho de pesquisa em autismo começou em 1984, com um foco no desenvolvimento da mente e cérebro sociais. Após terminar o doutorado em Londres, fui recrutado como Pós-Doutorando do Yale Child Study Center, na Escola de Medicina da Universidade de Yale, por Dr. Donald Cohen, que era na época um dos pioneiros no campo. Após o pós-doutorado, clínico e de pesquisa, passei a ser membro da faculdade. Fiquei em Yale por 20 anos, como professor e diretor do Yale Autism Program. Em 2011, vim para Atlanta para dirigir o Marcus Autism Center da Children’s Healthcare of Atlanta (um dois maiores sistemas pediátricos de Saúde dos Estados Unidos) e ser o chefe do departamento de autismo na escola de medicina de Emory University. O nosso centro é o maior centro clínico do país, e um dos três National Institute of Health Autism Center of Excellence, com liderança na Ciência e pesquisa do autismo e da Neurociência Social.

 

Super Spectro: Conte um pouco sobre como foi seu envolvimento com a pesquisa sobre o uso do Eye Tracking para contribuir com o diagnóstico do autismo. Quem são os principais pesquisadores envolvidos?

Dr. Ami Klin: A pesquisa usando essa tecnologia começou mais ou menos no ano 2000 em Yale, em colaboração com um estudante meu na época, agora um dos maiores expoentes da neurociência social nos Estados Unidos, Dr. Warren Jones. Warren veio comigo de Yale para Atlanta. Começamos o trabalho com adultos o primeiro artigo que publicamos foi em 2002. Com o tempo, fomos baixando a idade dos participantes da pesquisa, até que em 2006, com a ajuda da Simons Foundation, decidimos criar a tecnologia e a pesquisa com infantes, até mesmo recém-nascidos.

Super Spectro: De que maneira a tecnologia do Eye Tracking pode contribuir para o diagnóstico precoce do TEA? Como o Eye Tracking funciona?

Dr. Ami Klin: A identificação precoce do autismo, junto à intervenção precoce, representam a maior oportunidade que a comunidade tem de prevenir ou atenuar os resultados do autismo, que representam os maiores desafios para crianças e pais, assim como para a sociedade. O autismo em si resulta de desvios da socialização normativa que todas as crianças passam. Representa uma maneira de aprender sobre o mundo à volta, mas em si, não significa um determinismo de resultados como retardo intelectual, problemas de linguagem e comunicação, e problemas de comportamento severos. Esses são resultados que podemos atenuar e mesmo prevenir. Fazemos isso rotineiramente no centro, com pesquisas onde começamos intervenções que se iniciam aos seis meses de idade, com resultados ótimos.

Mas o problema é que a identificação precoce e o diagnostico precoce dependem de clínicos especialistas e acesso a esses clínicos. E esse é o problema, não somente nos Estados Unidos, mas no mundo. Por isso, nós capitalizamos na nossa pesquisa e desenvolvemos um procedimento viável à comunidade na forma de um aparelho diagnóstico, que possibilita o diagnóstico objetivo e quantitativo do autismo, assim como a medida do nível de desenvolvimento da criança, intelectual e de linguagem. Esse procedimento leva 12 minutos e é efetuado por um técnico. Dessa maneira, isso pode ser feito através da medicina primária. O nosso objetivo é aumentar o acesso ao diagnóstico precoce. Em trabalho paralelo, nos estamos fazendo o mesmo do outro lado: pesquisas de soluções para também aumentar o acesso à intervenção precoce, de maneira que seja viável à comunidade. Esse último projeto, na verdade, estamos tentando colocar em São Paulo, com um grupo de colaboradores. 

Super Spectro: Quais as perspectivas de conclusão da pesquisa e de uma possível implementação ou disponibilização deste procedimento para o grande público nos Estados Unidos? 

Dr. Ami Klin: Para que esse método possa ser disseminado, ele precisa ser aprovado pelo FDA. Estamos no meio de um teste clínico piloto do FDA, que acabará ate o final de 2018. Se o teste tiver sucesso, poderemos então disseminar esse método não somente nos Estados Unidos, mas em outros lugares do mundo também. Mas somente após a aprovação do FDA. E crítico que essa tecnologia seja testada da maneira mais rígida e científica possível, porque a responsabilidade é grande. 

Super Spectro: Pela sua experiência e conhecimento, acredita que há chances de que esta tecnologia esteja em breve disponível também no Brasil - pensando nos próximos cinco ou dez anos?

Dr. Ami Klin: Como disse, após a aprovação do FDA – se acontecer – ela poderá ser adotada em outros lugares. Mas é crítico que essa tecnologia – que se tiver sucesso pode revolucionar a identificação e diagnóstico precoces – seja adotada somente em lugares aonde se faça um esforço da mesma maneira para aumentar o acesso a serviços de intervenção precoce.

"Não seria ético diagnosticar crianças, se não temos nada a oferecer a essas famílias"

Super Spectro: Em sua fala no TED Talks, o senhor comenta que, por conta da dificuldade do diagnóstico precoce em comunidades isoladas (rurais ou de minorias) e em populações economicamente desfavorecidas, essas populações possuem chances de terem muito mais indivíduos com TEA em condições muito mais severas, até mesmo na fase adulta. O Eye Tracking poderia mudar esta perspectiva em populações mais carentes? Como?

Dr. Ami Klin: A nossa maior oportunidade de alterar as trajetórias de desenvolvimento de crianças com autismo é nos primeiros dois ou três anos de vida. A idade média de diagnóstico nos Estados Unidos ainda é de quatro a cinco anos e meio, e em relação a famílias que estão em desvantagem, de certa forma – como minorias e comunidades rurais –, essa idade é ainda mais avançada. Isso significa que, ao invés de tratarmos o autismo, nós tratamos os resultados do autismo, que podem ser devastadores. Quanto mais tarde é o diagnostico, maior a probabilidade de não conseguirmos otimizar os resultados eventuais de tratamento e intervenções. Mas a ideia é termos uma solução que seja acessível e viável para a comunidade em geral, e não somente para as pessoas com muito recurso. Por isso, a resposta é sim: a ideia é fazermos isso, onde quer que seja. 

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