ALIMENTAÇÃO

SELETIVIDADE ALIMENTAR

Na maioria das vezes, as crianças autistas têm uma alimentação muito seletiva e são muito resistentes à introdução de novos alimentos na dieta. Um dica para diversificar o paladar é passar seu dedo no alimento e depois na boca da criança, para ver se há interesse pelo sabor, para então experimentá-lo. Outra forma é que neste momento você encontre uma distração, como colocar um vídeo ou um brinquedo, mas SEMPRE avisar previamente a criança que irá experimentar um novo alimento.

Procure sempre estimular o consumo da maior variedade de alimentos e uma dieta mais saudável possível.

No instagram @nutricaofuncional a nutricionista Adriana Siqueira ensina:

"SEU FILHO TEM ÂNSIA AO VER OU CHEIRAR ALIMENTOS?

SAIBA PORQUE E COMO AJUDÁ-LOS!

Por Nutricionista Adriana Siqueira

Como pais, tendemos a assustar um pouco quando vemos nossos filhos que não comem, terem um reflexo de ânsia ou até mesmo vômito ao ver, tocar ou cheirar alimentos. "O que há de errado com eles?" 

O cheiro ou o sentido olfativo é exclusivo de cada indivíduo e, assim como com cada um dos nossos sentidos, poderíamos ter uma percepção muito fraca disso ou ser hipersensível. É como um espectro, todos nós em diferentes pontos de sensibilidade. Tenho certeza que você também conhece algumas pessoas que quase não sentem cheiro ou que sentem muito cheiro de coisas normais para você. De qualquer forma, o que tudo isso resume é o sistema sensorial único do seu filho. 

Para as crianças que são mais sensíveis aos cheiros, o que parece um cheiro muito suave para nós, poderia, na verdade, ser bastante forte para nosso filho. E, nossa resposta natural a um cheiro absolutamente repugnante é fazer ânsia. Isso é totalmente normal. O que não está dentro da normalidade é que um alimento como brócolis, presunto, queijo ou qualquer outro alimento comum pode causar tal resposta. 

Se uma criança é tão seletiva sobre seus alimentos, ele simplesmente nao interagem com muitos alimentos diferentes, isso por si só pode causar sensibilidade ao cheiro, simplesmente por falta de exposição. Ter uma sensibilidade aos cheiros também pode ser uma pista de que existem outras questões sensoriais em jogo. Quando um dos nossos sentidos é hipersensível, também pode afastar os outros.

Como ajuda-los a melhorar a resposta aos cheiros?

1) Respeite a sensibilidade: deixo-os saber que você está no seu lado, respeitando que eles realmente são sensíveis, isso não significa nunca cozinhar brócolis ou qualquer dos alimentos ofensivos novamente. há algumas maneiras diferentes de que você pode mostrar-lhes que você entende, o que realmente reduzirá gagging, ou mesmo vômitos (sim, algumas crianças são tão sensíveis que chegará a esse ponto).

 

2) Desensibilizar: se você quiser realmente ajudar seu filho a superar sua sensibillidade aos cheiros, você pode realmente trabalhar em desensibilização. Aqui estão algumas idéias sobre como fazer isso:

 

* Cozinhe os alimentos juntos: os cheiros de comida geralmente ficam mais intensos quando cozidos, mas quando seu filho está ajudando você a preparar os alimentos, eles têm a chance de sentir o cheiro lentamente. Também lhe dá a chance de falar sobre cheiros e cheirar itens diferentes diretamente dos frascos de especiarias. Isso ajuda a melhorar a sensibilidade ao cheiro. 

 

* Experimentos científicos de cheiro: faça com que seu filho cheire diferentes alimentos e dê a cada um de uma pontuação para o quão grande é o cheiro. Tenha cuidado para não rotular cheiros bons ou ruins.

 

* Cheira outras coisas: escolha objetos aleatórios ou saia na natureza e cheiro que quer que você encontre. Mais uma vez, falar e explorar diferentes cheiros pode ajudar o seu processo cerebral a cheirar em geral melhor!

SELETIVIDADE ALIMENTAR

Mayra Gaiato

Os AROMAS, as TEXTURAS, a COR, a TEMPERATURA, o ODOR, tudo isso pode levar à REJEIÇÃO do ALIMENTO, gerando a SELETIVIDADE ALIMENTAR. Pode ser pela ROTINA ou pelo SENSORIAL. Explica que devemos oferecer aos poucos NOVOS ALIMENTOS, em pedaços muito pequenos e com textura, temperatura e crocância similar. 

A TERAPIA de INTEGRAÇÃO SENSORIAL com um TERAPEUTA OCUPACIONAL e também em casa, melhora muita essa questão. 

RESTRIÇÃO ALIMENTAR

Mayra Gaiato

Nossa mestre Mayra Gaiato ensina que, para reduzir a SELETIVIDADE em relação a determinados alimentos, é necessário fazer APROXIMAÇÕES SUCESSIVAS.

POR QUE MEU FILHO NÃO ACEITA ALIMENTOS EM PEDAÇOS

Patrícia Junqueira

A fonoaudióloga Patrícia Junqueira, referência em transtornos alimentares, dá dicas de como estimular. Assista mais vídeos com dicas no canal do Youtube Instituto de Desenvolvimento 

COMO AJUDO MEU FILHO A ACEITAR NOVAS TEXTURAS

Patrícia Junqueira

A fonoaudióloga Patrícia Junqueira aborda sobre a importância da mastigação e dá outras dicas. 

Please reload

POR QUE MEU FILHO NÃO QUER COMER

Obra sugerida de Patrícia Junqueira.

TRANSTORNO SENSORIAL E RESTRIÇÃO ALIMENTAR

Como já abordamos na página sobre Sensibilidade, para uma pessoa com TRANSTORNO SENSORIAL VISUAL, ver um MAMÃO CORTADO, pode ser tão AVERSIVO quanto uma PERNA CORTADA! 

(Fonte: Seminário de Sensibilização do autismoS, por Giselle Zambiazzi).

Os AROMAS, as TEXTURAS, a COR, a TEMPERATURA, o ODOR, tudo isso pode levar à REJEIÇÃO do ALIMENTO, gerando a SELETIVIDADE ALIMENTAR, por isso forçar o alimento pode levar a uma rejeição ainda maior!

Please reload

APROXIMAÇÕES SUCESSIVAS

 

O primeiro passo para diminuir a restrição alimentar é fazer a criança se aproximar e manipular os alimentos que rejeita, começando, por exemplo, com frutas de brinquedo e depois manipulando frutas de verdade durante brincadeiras lúdicas, sentindo assim seu cheiro, percebendo sua textura, etc. 

DICAS SELETIVIDADE ALIMENTAR DO IG @a.u.t.i.s.m.o.v.i.d.a

 

Seletividade alimentar! Esse vídeo contém diversas dicas aprendidas com a tia @marcellabarretofono e com o livro sobre seletividade da fono Patrícia Junqueira:


1- prepare alimentos com seu filho, leve-o para cozinha sem medo da sujeira ou bagunça;


2- envolva-o na preparação dos alimentos de forma tranquila, não obrigue-o a nada!


3- use sempre a brincadeira como forma de aprendizado, no vídeo Rodriguinho queria desenhar todo o processo da receita, mas isso foi ideia dele, uma ótima ideia, por sinal;


4- exclua do seu vocabulário a palavra “experimentar”, ao invés disso sugira a criança assim: “será que isso é mole?” “Vamos tocar?” “Se eu colocar a língua?” “Será que vc consegue quebrar com o dente?” E por aí vai! 


A ultima dica q eu considero a mais importante de todas:
5- ofereça alimentos novos parecidos na cor e textura que o seu filho está habituado e se sente seguro pra comer, por exemplo, Rodriguinho gosta de bolo de ovos, então eu estou variando os sabores do bolo, sempre com a cor parecida, com o objetivo de fazê-lo flexibilizar e se abrir pra novos sabores, mas, próximo do que ele já está acostumado! 


Nós devemos ajustar as nossas expectativas e desejos à situação dos nossos filhos! Seletividade alimentar não é frescura, nem excesso de mimo!

 

Muitas crianças tem aversão de verdade a certos tipos de alimentos e/ou texturas, não adianta força-la a experimentar, isso só irá piorar ainda mais a desconfiança dela em relação aos alimentos!

 

Eu sei o quanto é difícil ter uma criança que não come “tudo” é desesperador pensar que seu filho não está bem nutrido, mesmo assim, é importante fazer um exercício de reflexão sobre a alimentação da criança, sobre o que precisa ser melhorado, focar nas pequenas conquistas, como por exemplo, conseguir experimentar um biscoito diferente, ou até mesmo conseguir ver um alimento novo no prato sem vomitar, porque isso acontece com algumas crianças!

 

E então, ter como meta o ganho de confiança da criança em relação aos alimentos! Não é da noite para o dia que seu filho irá comer variadas coisas, mas tenha em mente que esse trabalho minucioso que vc está fazendo agora, trará bons frutos! Um bom profissional pode te ajudar no processo!

Para acessar o vídeo, clique no link abaixo:

PASSO-A-PASSO

Para estimula-los a provar, seguem imagens do site www.autismoprojetointegrar.com.br, que apresenta uma série de roteiros que podem ajudar nas novas rotinas. Para acessar outras imagens, clique no link do site no botão logo abaixo:

VITAMINAS

Como explicam Dr. Rodrigo Silveira e Mayra Gaiato, algumas vitaminas, aliadas às terapias, podem trazer benefícios e ganhos ao tratamento, conforme trechos do vídeo abaixo. Mas como alertaram no vídeo completo, para o uso dessas vitaminas, é necessária a orientação e acompanhamento de especialistas:

MASTIGAÇÃO

O desenvolvimento da mastigação é gradativo e está relacionado ao desenvolvimento da criança. Mas é importante compreender que a mastigação se difere das demais funções envolvidas também na alimentação infantil como a sucção e deglutição (ato de engolir), porque a mastigação é um ato aprendido (não é um reflexo!) e, portanto, depende de treino!

O treino da mastigação se inicia muito cedo, quando o bebê começa a levar suas mãos e diferentes objetos a boca. Mordedores e brinquedos com diferentes texturas e formatos, auxiliam no preparo da cavidade oral para receber posteriormente os alimentos.

Portanto estimular o bebê a explorar com as mãos e levar diferentes objetos a boca favorece e estimula vivências táteis e orais que poderão favorecer a aceitação de futuros alimentos com diferentes texturas.

É por meio da textura e consistência dos alimentos que a criança aprende como mastigar, aceitando aos poucos, em paralelo ao seu desenvolvimento dentário e muscular, alimentos mais fibrosos e consistentes.

Desde o início da introdução dos primeiros alimentos é importante que os pais sejam orientados a não liquidificar as papinhas e que possam, passo a passo, oferecer alimentos amassados e com grãos. Desse modo a criança terá a oportunidade de desenvolver e aprender a mastigar para que, até por volta dos dois anos de idade, tenha uma mastigação eficaz!

Fazer as refeições junto com a criança também auxilia muito no aprendizado da mastigação. Os bebês e as crianças aprendem muito imitando certos comportamentos visualizados. Desse modo, mastigar junto ou na frente da criança também ajuda no processo de aprendizagem!

Algumas crianças podem apresentar dificuldades com a textura e/ou consistência dos alimentos, rejeitando preparações mais granulosas e fibrosas. Podem apresentar desde uma pequenas resistência à aceitação desses alimentos, até a recusa total. Podem cuspir, engasgar, vomitar, chorar e para de comer por medo ou proteção ao desconforto sentido.

Algumas crianças podem  “lamber” o alimento sólido, porem, não o introduzem na boca para mastigar.

Insistir,  forçar, ou distrair a criança para comer determinados alimentos que ela não aceita, pode potencializar a recusa alimentar e até em alguns casos proporcionar fobia alimentar.   

Nesses casos é necessário a avaliação de um fonoaudiólogo Especialista em Motricidade Orofacial com experiência em Alimentação Infantil para que sejam identificadas as causas dessa dificuldade.

Sensibilidade oral exacerbada, dificuldades na percepção do sabor, alteração na mobilidade da língua, dificuldade na organização do bolo alimentar, além de pouca vivência tátil e oral, podem ser possíveis causas de dificuldades com a evolução da textura dos alimentos e consequentemente com o aprendizado da mastigação.

O importante é que os pais estejam cientes da importância da mastigação para o desenvolvimento de uma alimentação eficaz e que procurem um profissional capacitado para auxiliá-los assim que identificarem qualquer dificuldade.

DIETA (GLÚTEN e LACTOSE)

Alguns profissionais recomendam a restrição de alimentos, como glúten, lactose, soja, milho e ovos, sustentando que podem causar inflamação no intestino e que podem intensificar a falta de concentração e o isolamento, entre outros sintomas.

 

Mas nossos profissionais não são partidários desta opinião, por falta de comprovação científica realmente confiável até os dias de hoje. Inclusive, com já relatado acima, o Matheus fez exame de sangue de mais de 50 alimentos na clínica RDO, em São Paulo, do Dr. Ricardo de Oliveira, e constatou não ter NENHUMA ALERGIA OU INTOLERÂNCIA, apenas uma baixa intolerância à lactose, razão pela qual alimenta-se normalmente. Como salientamos muitas vezes, a intensividade e precocidade do tratamento são primordiais para um melhor prognóstico, por isso não recomendamos pelo menos durante a janela de oportunidade. 

DIETAS - REVISTA CRESCER 

 

Neste sentido é a posição da Revista Crescer:

Autismo em crianças: estudo mostra que dietas especiais não alteram comportamento

Entenda a pesquisa e veja a opinião de um especialista no assunto

 

Por Crescer - atualizada em 06/06/2017 08h56

 

"Crises epilépticas, pouca interação social, ações repetitivas, dificuldade de comunicação... Esses são alguns dos comprometimentos que podem ser observados emcrianças com transtorno do espectro autista. Na tentativa de minimizar tudo isso, muitas famílias passaram a adotar dietas especiais (livres de glúten e caseína) e a recorrer a suplementos alimentares para os filhos. Tais medidas eram baseadas em pequenas pesquisas científicas.

No entanto, uma recente revisão de estudos, publicada no jornal científico Pediatrics, contraria essa ideia. Os pesquisadores analisaram uma série de trabalhos anteriores sobre o tema e concluíram que ainda não há evidência científica suficiente para confirmar a eficácia das dietas ou do uso de suplementos, ou seja, essas medidas não seriam capazes de alterar o comportamento das crianças com autismo.

CRESCER entrevistou o biólogo molecular brasileiro Alysson Muotri, que estuda o autismo e é neurocientista da Universidade da Califórnia (EUA). A seguir, veja a opinião do especialista sobre essa nova revisão de estudos:

Em que era embasada, até então, a adoção de dietas especiais ou suplementos nutricionais para crianças com transtorno do espectro autista?


Autistas, em geral, possuem uma dieta restrita. São difíceis de se alimentar porque as sensações (gosto, textura etc.) não são necessariamente as mesmas de um neurotípico [indivíduo que não apresenta distúrbios psíquicos significativos]. Isso faz parte do quadro sensorial alterado por neurotransmissores durante a gestação.

 

Essa observação faz com que se tente suplementos alimentares na expectativa de suprir as vitaminas essenciais que possam estar faltando por conta da má-alimentação. No caso da dieta sem glúten e caseína, é mais difícil de se determinar exatamente o motivo dessa adoção.

 

Acredito que deva ter sido originado pelo fato dessa dieta ter melhorado o comportamento de alguns autistas celíacos ou com epilepsia (no passado, usava-se esse tipo de dieta para controle de epilepsias) e isso foi se generalizando com o tempo. Hoje, sabemos que a melhora comportamental em autistas celíacos ou epilépticos se deve ao controle da comorbidade [quando há dois diagnósticos associados] e não à dieta.

 

Outras explicações foram surgindo para justificar essas dietas, como uma redução de inflamações, alergias ou controle da microbiota intestinal, nenhuma com relação causal com o autismo. Além disso, temos uma forte influência da indústria da dieta e suplementos nas famílias.

Qual é a sua opinião sobre essa revisão de estudos?


Existem diversos estudos sobre dietas especiais e autistas, com resultados controversos. Esse último estudo faz uma “metanálise”, ou seja, uma compilação e leitura crítica desses trabalhos eliminando aqueles que não foram feitos direito, como por exemplo, usando metodologias com viés ou pequeno poder estatístico.

 

O que resta, no final, são trabalhos que foram feitos dentro do rigor científico e que demonstraram que dietas especiais e/ou suplementos alimentares não alteram o comportamento autista.

 

De certa forma, esse resultado não me surpreende. Muitas famílias relatam que isso realmente não funciona ou tem efeito passageiro. Em outras famílias, o fato de que a mudança na alimentação não causa efeitos colaterais imediatos (ninguém sabe a consequência dessas dietas no autista a longo prazo) e é algo relativamente barato, isso cria uma sensação de “pelo menos estou fazendo algo” no psicológico da família que opta por continuar o tratamento.

 

Mas é preciso considerar os seguintes pontos: as dietas específicas e restritivas podem causar estresse no autista e no resto da família. Isso precisa ser considerado. Por outro lado, há casos de autistas com mutações genéticas em algumas vias metabólicas podem se beneficiar de uma dieta específica. O aconselhamento genético antes de se começar uma dieta é recomendável.

POSIÇÃO TISMOO SOBRE DIETAS

 

No mesmo sentido o site Tismoo:

Se você tem convívio com um pessoa no espectro autista com certeza já ouviu alguém recomendar ou comentar sobre uma dieta especial. Baseados em pesquisas científicas, alguns profissionais de saúde ainda defendem uma alimentação livre de glúten, soja e caseína por acreditarem que essas substâncias interferem nos sintomas do autismo. Mas, uma revisão de estudos publicada na Pediatrics, revista oficial da Academia Americana de Pediatria, revela que não é bem assim.

Analisando diversos estudos sobre esse assunto, pesquisadores concluíram que não é possível comprovar cientificamente a eficácia dessas dietas especiais no tratamento de pessoas autistas. Para explicar melhor esse resultado e esclarecer a questão das dietas restritivas para crianças com TEA, Dr. Alysson Muotri, membro da nossa equipe técnica, concedeu uma entrevista à revista Crescer. Confira abaixo:

“Em que era embasada, até então, a adoção de dietas especiais ou suplementos nutricionais para crianças com transtorno do espectro autista?

Autistas, em geral, possuem uma dieta restrita. São difíceis de se alimentar porque as sensações (gosto, textura etc.) não são necessariamente as mesmas de um neurotípico [indivíduo que não apresenta distúrbios psíquicos significativos]. Isso faz parte do quadro sensorial alterado por neurotransmissores durante a gestação. Essa observação faz com que se tente suplementos alimentares na expectativa de suprir as vitaminas essenciais que possam estar faltando por conta da má-alimentação. No caso da dieta sem glúten e caseína, é mais difícil de se determinar exatamente o motivo dessa adoção. Acredito que deva ter sido originado pelo fato dessa dieta ter melhorado o comportamento de alguns autistas celíacos ou com epilepsia (no passado, usava-se esse tipo de dieta para controle de epilepsias) e isso foi se generalizando com o tempo. Hoje, sabemos que a melhora comportamental em autistas celíacos ou epilépticos se deve ao controle da comorbidade [quando há dois diagnósticos associados] e não à dieta.Outras explicações foram surgindo para justificar essas dietas, como uma redução de inflamações, alergias ou controle da microbiota intestinal, nenhuma com relação causal com o autismo. Além disso, temos uma forte influência da indústria da dieta e suplementos nas famílias.

Qual é a sua opinião sobre essa revisão de estudos?

Existem diversos estudos sobre dietas especiais e autistas, com resultados controversos. Esse último estudo faz uma “metanálise”, ou seja, uma compilação e leitura crítica desses trabalhos eliminando aqueles que não foram feitos direito, como por exemplo, usando metodologias com viés ou pequeno poder estatístico. O que resta, no final, são trabalhos que foram feitos dentro do rigor científico e que demonstraram que dietas especiais e/ou suplementos alimentares não alteram o comportamento autista. De certa forma, esse resultado não me surpreende. Muitas famílias relatam que isso realmente não funciona ou tem efeito passageiro. Em outras famílias, o fato de que a mudança na alimentação não causa efeitos colaterais imediatos (ninguém sabe a consequência dessas dietas no autista a longo prazo) e é algo relativamente barato, isso cria uma sensação de “pelo menos estou fazendo algo” no psicológico da família que opta por continuar o tratamento. Mas é preciso considerar os seguintes pontos: as dietas específicas e restritivas podem causar estresse no autista e no resto da família. Isso precisa ser considerado. Por outro lado, há casos de autistas com mutações genéticas em algumas vias metabólicas que podem se beneficiar de uma dieta específica. O aconselhamento genético antes de se começar uma dieta é recomendável.”

Para acessar a matéria, clique no link abaixo:

LIVRO BREVE GUIA PARA TRATAMENTO DO AUTISMO

 

De acordo com o livro Breve Guia para Tratamento do Autismo, há algumas evidências inclusive de que podem ter consequências potencialmente prejudiciais, como maiores deficiências em certos aminoácidos essenciais. No entanto, estudos adicionais são necessários. Outros estudos concluíram que meninos com TEA e dieta sem glúten mostravam praticamente o dobro das deficiências em densidade óssea. 

No geral, dados científicos sobre a utilidade e eficácia da dieta para o tratamento do TEA são muito escassos, considerado como “tratamento não estabelecido” pelo Projeto de Normas Nacionais do Centro Nacional de Autismo dos Estados Unidos: 

FEEDING THERAPY

 

A especialista em Feeding, Kelly Dayana Negron nos concedeu uma entrevista. Alerta que a RESTRIÇÃO ALIMENTAR, se não for trabalhada, pode se tornar algo realmente muito grave! Apresente sempre alimentos novos e cada vez que a criança experimentar algo NOVO, faça uma GRANDE FESTA!!! Recomenda o uso de técnicas ABA, como, por exemplo: “- Primeiro experimente isso para então usar seu iPad ou comer um cookie”!

Explica que, em 98% dos casos, o problema é apenas COMPORTAMENTAL (mesmo quando chegam a vomitar) e que, assim que os pais entendem isso, com um tratamento intensivo de Feeding Therapy, as crianças passam a comer de tudo!


Kelly explica que, quando realiza esse tratamento, REJEITAR um alimento NÃO é uma OPÇÃO! “-Se você não comer isso, NÃO vai comer NADA mais!” No tratamento, insere 4 diferentes grupos de alimentos: VEGETAIS, PROTEÍNAS, CARBOIDRATOS e FRUTAS, todos ao MESMO TEMPO, mudando o tipo de cada grupo todos os dias. A idéia é DESSENSIBILIZAR! É importante ressaltar que para exercer esse tipo de trabalho é necessária uma especialização em FEEDING, não bastando apenas o ABA. Trata-se de uma especialização muito recente nos Estados Unidos, pouquíssimo conhecida no Brasil e que tem revolucionado a vida de muitas famílias! 

E finaliza deixando o recado para as famílias:
”Não perca a fé, você precisa ser forte e consistente todos os dias e nunca desistir, então verá os resultados!"


Kelly Dayana Negron nasceu na Venezuela e mudou-se para os Estados Unidos aos 9 anos. Com 2 mestrados em ABA e Psicologia, é especialista em Desenvolvimento Infantil pela NSU, onde recebeu treinamento em Alimentação para crianças com RESTRIÇÃO ALIMENTAR SEVERA. É fundadora e Presidente da @equanimitytherapy www.equanimitytherapy.com.
Para ver a entrevista completa, acesse o canal do YouTube do Autistologos e clique na descrição para ler mais informações. Dica de nossa querida correspondente nos USA 🇺🇸 

PALESTRA NUTRI ADRIANA SIQUEIRA

No Ico Project, a nutricionista Adriana Siqueira do IG @nutri_adrianasiqueira (vide contato na última imagem abaixo) apresentou os seguintes slides e recomendou a leitura do livro Food Chaining:

  • Facebook App Icon
  • Twitter App Icon
  • Google+ App Icon

© 2023 by Grace Homecare. Proudly created with Wix.com